Antes de ter filhos: educação e responsabilidade
Uma reflexão pessoal sobre autoridade, confiança, telas, educação e responsabilidade na criação de crianças e adolescentes.
Salve, pessoal! Desta vez, decidi sair um pouco do mundo da programação e apresentar algumas reflexões sobre psicologia, educação e criação de crianças.
Este é um post de opinião, não uma orientação profissional. As decisões sobre uma criança cabem aos responsáveis; leia o texto com uma dose saudável de ceticismo.
Seres humanos não são completamente racionais
Todo esse post no geral vem com essa máxima.
Isso não é uma negação da racionalidade e sim que a maioria das decisões tomadas também são instintos, que de mesma forma são condicionados.
Isso é importante porque aspectos como confiança e hierarquia podem ser formados de maneiras diferentes.
Confiança
Durante a formação da capacidade racional e com a capacidade racional.
Normalmente, a confiança nos pais é formada antes da capacidade de racionalização e a confiança nos amigos é formada após a formação da racionalização.
Isso nos diz que de alguma forma, na maioria das vezes a confiança nos pais vai ser mais forte.
Até que essa confiança seja quebrada de alguma forma.
Após isso, qualquer confiança formada seria a segunda forma de confiança com racionalização.
A diferença entre ambos é o nível de confiança, um é a confiança incondicional enquanto o outro é a confiança com cautela.
Hierarquia
O mais importante de se tornar pai, é se tornar o topo da hierarquia.
Na visão de que você vai guiar uma versão menor de si mesmo a conseguir sobreviver nesse mundo.
Isso também significa que todos os problemas vão em sua direção, os seus ou o de seu filho.
E como já dito previamente, muitas das coisas da paternidade são desenvolvidos na primeira infância, isso também diz sobre a hierarquia.
A quem os problemas devem ir quando aparecerem.
E é uma discussão muito importante a se resolver.
Muitas vezes, mesmo na primeira infância essa hierarquia vai ser desafiada.
O pai pode dizer não, enquanto a cria vai na mãe fazer a mesma pergunta para ver se a resposta é diferente.
Esse tipo de coisa mostra ao filho, quem tem a resposta mais mansa e a quem ele deve ir para ter o que quer.
Como isso se relaciona à educação?
Escapando um pouco da discussão qual a melhor.
Opinião pessoal: Prefiro a tradicional
Todas se relacionam com o nível de autoridade que o pai tem em relação a seu filho.
Na tradicional, o pai assume papel mais autoritário em relação ao filho.
Na positiva, o pai assume um papel mais manipulativo em relação ao filho.
Dando uma dualidade de opções e pedindo pro filho escolher qual lhe agrada melhor.
Exemplo Você prefere guardar os brinquedos e tomar banho ou tomar banho e ir dormir?
Já a permissiva é um nome mais bonito para indulgente.
No geral, a educação permissiva parte da premissa que você vai dar total autonomia para um incapaz se virar, acatando todas as ordens e regras dele.
Por que eu prefiro a educação tradicional?
No simples e no grosso, porque é mais simples.
Só que não posso afirmar que é exatamente a educação tradicional também.
É a educação tradicional quando aplicada a alguém que tem 10 anos ou mais. Menos que isso, a abordagem tem que ser mudada.
E o que mudamos?
1º Frustre muito a criança
É um pouco cruel, mas isso cria uma oportunidade para trabalhar a educação e o controle emocional.
Garanto que vai poupar grana quando o salário chegar e você precisar ir com ela no supermercado.
Opcional: Você não tem a necessidade real de fazer isso, se quiser manter a criança em casa. Este tipo de aprendizado a vida vai ensinar de qualquer forma.
- Nada de telas até 8/10 anos
Esse entra em contato direto com o 1º.
Um dos problemas da paternidade moderna é silenciar a frustração com telas e vídeos muito mais estimulantes que os programas de antigamente.
São fluxos mais rápidos, diálogos complexos e informação audiovisual muito mais animada.
Ao tirar a tela, você volta com o dobro da frustração inicial e isso vai acarretar numa série de problemas como o próprio imediatismo.
3º Celulares são importantes, compre um para seu filho
Não tem como fugir disso, celulares ainda são importantes e seu filho desde pequeno tem que saber usar um.
Mas você, como responsável, pode se esquecer de uma coisa: não precisa entregar um smartphone.
Um bom e velho dumbphone, com teclado e de preferência sem jogos ou outras distrações, pode ser uma opção melhor que um smartphone de última geração.
O que fazer durante a pré-adolescência e a adolescência?
Comece respirando fundo, essa é a melhor/pior idade para você e para seu filho, sem sombras de dúvidas.
Então, vamos começar com o liberar algumas coisas.
Primeiro, liberar seu filho para ter um celular decente é um bom começo mas, não faça isso por fazer ou para comemorar algo.
Faça na forma de uma recompensa por ele resolver um problema que você não pediu mas, mesmo assim ele decidiu ajudar.
Não significa dar o top tier, nem um pro, nem mesmo algo caro.
Talvez 1 ou 2 gerações anteriores de preferência.
Além disso, siga uma progressão na lista de coisas a se fazer dentro de casa.
Como por exemplo, ajudar a limpar e tudo mais. Não tudo de uma vez, uma responsabilidade por vez.
Além disso, acompanhar seu filho com o Family Link pode ser importante.
E apesar da maioria das críticas que o app tem. É super necessário, que você acompanhe o que seu filho faz online.
Apesar de que, tudo vai depender da sua capacidade como pai não ser super-protetor.
Você como pai que já conhece o mundo e sabe quão pobre ele é, deve deixar seu filho rolar um pouquinho no barro, se sujar bastante e tentar se lavar.
Esta é a verdadeira paternidade: criar seu filho para que, em um momento de dificuldade, ele tenha certeza de que pode procurá-lo.
Dito isso, é importante incentivar algumas atividades:
- Leitura
- Esportes
- Artes Marciais
- Hobbies
Religião é meio complicado, apesar de ser cristão e católico eu não acredito em batizar meu filho até pelo menos ele por conta própria decidir seguir minha fé ou não.
Isso não significa deixar de levá-lo à igreja, mas respeitar sua decisão de fé. Se ele decidir seguir minha fé, acredito que o batismo poderá ser realizado.
E antes de qualquer dúvida razoável, eu já afirmo de primeira.
O Batismo é o sacramento mais importante da igreja cristã. Valendo para os ortodoxos, protestantes ou os católicos em geral.
Seria muito desrespeitoso da minha parte, colocar meu filho a ser batizado sem sua escolha. Para definir sua fé antes que de sua própria vontade, ele também a expresse.
Escolaridade
Não tem muito o que fazer aqui, a educação é a parte mais importante do desenvolvimento de uma criança e adolescente.
O problema aparece quando relacionamos a educação apenas a uma motivação extrínseca; assim, ela perde o sentido.
Seria interessante pelo menos no mínimo, você como pai, mostrar os pontos mais interessantes da educação.
Para ele se tornar um nerd clássico, um verdadeiro nérdico.
Não vou falar que é porque a educação é importante, principalmente não no Brasil.
Mas, ela é um recurso de conhecimento que abre portas.
Muitos objetivos podem ser alcançados com o conhecimento adquirido por meio da educação.
Seja formal, seja autodidata.
E tem mais, por mais que a educação formal no Brasil seja sucateada, ela ainda te dá uma coisa que nenhuma outra te dá.
Um papel dizendo aprovado.
Esse papel reduz a dificuldade de ganhar um emprego com salário razoável, então vale a pena tentar.
Responsabilidade
Como, neste ponto, já estamos falando de adolescentes, eles podem começar a assumir responsabilidade por seus atos e pela bagunça que fazem.
Faça um tipo de sistema penal mais leve com possíveis consequências em atos não desejáveis.
A ideia é não ser duro mas ser justo como na vida real.
Além disso, surge a oportunidade de ensinar o contraditório e o direito à defesa.
Interessante seria “simular um julgamento”.
Conclusão
Esses são alguns dos meus pensamentos sobre filhos e sobre como criá-los. Com coisas a mais ou a menos, é importante refletir sobre essas questões.
Obviamente cada criação é única. E a que você vai oferecer depende exatamente daquilo que você quer passar.